
Caminhos novos vou seguindo
Chorando, dizendo, sorrindo

O mundo é bem maior que nós!

Não sei há quantos anos deixei de me preocupar em definir o que sinto. Quando era novinha, sim. Aquelas dissertações se era paixão, amor,
atração, se era passageiro ou para a vida (confesso que quando era novinha, era sempre para a vida...), ocupavam-me horas. Lembro-me que antes de adormecer, a minha cama era uma autêntica palestra. Entre eu e eu. Às vezes até eu, eu e eu. Creio que chegávamos a ser quatro na cama.
Mas, como escrevi ali atrás, com o tempo comecei a adormecer sem “palestrar” comigo .Sobre nomes de coisas. E deixei de me preocupar em lhes dar nomes, mesmo. Quando muito, faço uma lista onde meto as sensações todas. E guardo, bem guardadinha para um dia, quando voltar a apetecer-me batizá-las, ou tiver insónias, mostrar a algum entendido e perguntar, então vá lá, isto é (era) o quê?
Se me pedisses e eu pudesse dava-te o Mundo. Não posso, mas eu sei que tu sabes que eu te daria o Mundo. Se pudesse.
Quando as coisas ficam pretas, quando o Sol se esconde, quando preciso de um ombro, é em ti que penso.
Quando quero o Mundo, mas sei que apenas me podes dar uma palavra, ou mesmo que não possas, continuo a querer o mundo e a ficar apenas com a palavra. Ou mesmo sem ela.
Se me pedirem para definir amigo, penso eu ti. Se me pedirem que pense em ternura, penso naquela moínha que sinto aqui num lugarzito que deve ficar entre o estomago, o coração, a alma e o olhos e que aparece sempre que te toco. Ou mesmo que não te possa tocar.
Se me pedirem que defina prazer, penso no que me dás. Se pedirem que defina desejo, sinto-te.
Se me pedirem que defina vida, falarei em acordar a teu lado. E como basta acordar a teu lado uma manhã, uma tarde ou uma noite, para ela fazer sentido. Adormecer também.
Se me pedirem para te definir...aí, não terei palavras. Que cheguem. Serás, portanto, ainda e sempre o meu Mar. E encantas-me. Muito mais que me encantaste naquela noite em que me esperaste ao fim das escadas. E muito menos que me encantarás amanhã.
- Isabel Faria
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois odos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de
orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
- Vinicius de Moraes
Quisera roubar-te essas palavras e morrer
Trazer-te assim até ao fim do que eu puder
E começar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz
E descobrir o que será de nós
E demorar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Quisera a ternura, calmaria azul do mar
O riso o amor o gosto a sal a sol do olhar
E um lugar pra me espraiar eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço
Adormecer e abandonar-me de cansaço
Quisera assim perder-me em mim eternamente
Por te rever, só
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!
Já chorei com lembranças,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade.
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar.
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.
- Charles Chaplin
“Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo,quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou,pois vendo-os loucos e santos,bobos e sérios, crianças e velhos,nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão…”
- Fernando Pessoa
O que pôs tudo a perder em minha vida foram aqueles cinco minutos... foram os cinco minutos mais demorados de minha vida, onde vi tudo o que eu tinha construído a minha volta, desmoronando, a cada lágrima mais um pedaço de mim ficava naquele lugar. Ouvia a voz de quem eu amava, de quem me fazia feliz, de quem eu amava, de quem esteve sempre ao meu lado. A sua doce voz me dizia que não havia mais jeito, que naquele minuto, tudo acabava...
O último abraço amigo, a dor em meus olhos, e a coragem do último adeus que pairava bem longe de meu ser. Senti algo incrível! Em medos de dois minutos senti a maior segurança de minha vida, e nesses mesmos dois minutos o maior medo, o chão sob meus pés caia, se monstrando fraco, assim como eu. Palavras amigas, conselhos, uma certa história sobre subir degraus, sobre não precisar de ninguém, parecia atraente, na prática, é diferente.
Desses cinco minutos, o último foi o mais claro, mais rápido, o mais doído. Me vi, sem perceber, estacionada bem ao meio da rua. Não escutava os gritos, não sentia o vento bater, não falava a dor. Fechei os olhos, vi todo o amor que eu tinha, passar, e enfim me vi sozinha, perdida num canto qualquer.
Foram cinco minutos, minutos em que tudo de bom que havia em mim foram bruscamente arrancados.
Hoje, esses cinco minutos, mais tarde, se transformaram em cinco estrelas que vivem todo dia comigo, iluminando meu sorriso cada vez mais.
(Marisa Monte - Infinito Particular)
Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou portabandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
(Caio Fernando Abreu)
Sexo feminino, nome de bruxa, ou melhor, de rainha das trevas, Elvira, Reininger, seu estilo de vida, quer dizer, seu sobrenome.
Pé gordo (como tudo), com unhas vermelhas e rosinha embaixo; perna grossa, ou gorda, como preferir, e branca, beeem branca; barriga gordinha, na medida certa, e um umbigo amado; peitos... hmm... dois pra ser exata; braços fofinhos, com pelinhos loiros e um (duas, na verdade) citatriz, pra enfeitar, eu diria; mão gordinha e rosa, assim como os pés, e as unhas vermelhas para combinar com o mesmo; pescoço, branco, só pra variar e, um pouco sensível; rosto abreviado para uma das sete maravilhas do mundo, ou, presente do diabo, depende do ponto de vista, mas eu apresentaria mais ou menos assim: queixo gordo, com uma pintinha, boca nem um pouco carnuda, lábios macios, nariz de batata, bochechas lisinhas e beeem gordas e, "pa acaba", um par de olhos, na cor nem isso nem aquilo, do nome bonito que ela adora dizer… castanho esverdeado. E bom, ainda tem o cabelo, ruim, disfarçado, quase sempre preso, xuquinha roxa, apelidado de... ram... leãozinho!...
No pé quase sempre all star, preto, branco, azul, roxo, vermelho, verde, laranja, o que vier ta bom, mas como gosta de variar, vira e mexe usa seu adidas ou seu freeday, não que a marca faça alguma diferença. Usa também havaiana, preta ou marrom, mas só quando está com a unha feita ou morrendo de preguiça de calçar o tênis.
Nas pernas tem pra todos os gostos. Adora uma boa calça jeans, de boca justa, mas como é revoltada com seu guarda roupa aderiu à moda (sua própria moda) do moleton e, quando está de bem com a vida, quer dizer, de bem com suas pernas, não dispensa um short, esteja calor, ou não.
Em cima, camiseta, lisa ou estampada, não importa, mas, na realidade, está sempre de casaco, de preferência com capuz.
Sua cor, o preto;
Sua música, a boa;
Sua bebida, o suco;
Sua comida... todas;
Seu hobbie, dormir;
Seu amor, o maior;
Sua família, a melhor;
Seu gosto, é qualquer um;
Seu sorriso, amarelo;
Seu medo, perder;
Seu orgulho, existir;
Seu sonho, um a cada dia;
Sua vontade, dez a cada minuto;
Sua ignorância e raiva, constantes;
Sua saudade, cotidiano;
Sua lembrança, parte do presente;
Seu retrato, aquele, meio tremido;
Seu filme, Um motivo para viver;
Seu motivo, aquele que lhe faz feliz;
Seu doce, doce, de leite;
Seu dvd, não é meu!
Seu grito, irritante;
Seu carinho, consequência;
Seu cama, espaçosa demais para um;
Seu urso, um pingüim;
Sua tarde, longa;
Seu jeito, complicado;
Sua escova de dentes, verde limão;
Sua compreenção, quase impossível;
Sua compulsão, seu vício;
Seu prazer, sorvete;
Seu desejo... depende da fome!
Sua necessidade, carinho;
Seu defeito, tantos;
Sua unha, de estimação;
Seu ódio, sua dor;
Seu humor, inconstante;
Seu impulso, está em todo lugar;
Sua viagem, caxias do sul;
Seu número... só se forem dois!, quatro e oito;
Seu aniversário, seu desprezo;
Seu desenho, animado;
Sua escola, sempre a errada;
Seu estilo, próprio;
Sua pessoa, única.
Num retrato-falado eu fichado,
exposto em diagnóstico
Especialistas analisam e sentenciam:
Deixa ser como será!
Tudo posto em seu lugar
Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser, como será!
Eu já posto em meu lugar
Num continente ao revés,
em preto e branco, em hotéis.
Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê!
Olhos pra te rever
Boca pra te provar
Noites pra te perder
Mapas pra te encontrar
Fotos pra te reter
Luas pra te esperar
Voz pra te convencer
Ruas pra te avistar
Calma pra te entender
Verbos pra te acionar
Luz pra te esclarecer
Sonhos pra te acordar
Taras pra te morder
Cartas pra te selar
Sexo pra estremecer
Contos pra te encantar
Silêncio pra te comover
Música pra te alcançar
Refrão pra te enternecer
E agora só falta você
Desde que me conheço por gente acredito que não tenho o direito de julgar alguém, de julgar atos de alguém, simplesmente não acho justo. Não vejo maneira de julgar algo sem conhecer motivos, sem estar na pele da pessoa. Porém, teimosa que sou, mesmo sem achar certo, tenho que dizer que a partir do momento em que alguém provoca dor, sofrimento a outra pessoa, (quando não conhece principalmente) está fugindo do padrão de consciência.
O peso de uma arma, o peso de uma vida. O peso de uma vida, o peso de um desejo. O peso de um objeto de valor, o peso de um vício, de um enlouquecido capricho... o peso de uma vida.
Onde está o sentido em tirar a vida de alguém por um relógio bonito e pesado? O relógio não tem consciência, o relógio não sente dor. O relógio não tem alguém pra chorar pela sua ausência. Se eu não tenho o direito de julgar, como pode, neste mundinho de Deus, alguém roubar uma vida?
Fome, loucura, medo, frio, desculpas, loucura, um ladrão. Insanidade, dois ladrões, crime. O peso da consciência. O verbo anular, se anular.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e
na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se
torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a
lembrança do que fui
e a outra metade não sei.